Á sombra das amoreiras , por entre os rochedos, vertia um fio transparente e cristalino que deslizava sobre a pedreira lisa e viscosa , dando a aparência de um cordão de pedras preciosas em seu estado natural. Os tons eram multicores.O vento é quem lhes dava as tonalidades. Quando soprava forte , as frestas abertas entre as folhas das amoreiras deixavam os raios do sol penetrar-lhe as entranhas e expandir cores vibrantes como arco-iris fluorescentes.Minúsculos brilhantes eram exibidos com o tripidar das folhas balançando suaves ao terral da tardinha.Em noites enluaradas o fio de água incorporava tons azuis, lilases , anis , indecifráveis e, Joana , em contemplação admirava o seu rosto no espelho das águas.Um vulto silencioso se achegava. Era sua alma gêmea que a abraçava formando na água um só reflexo.Ali se amavam , misturando-se às cores, ao brilho,ao frescor da brisa. Este era o cenário de noites afins a espera da lua se debruçar no horizonte. Duas contas verdes, como guardiãs, lhes davam segurança. Certa noite, extasiados, adormeceram.Num sobressalto, sentiram nesgas de sol aquecendo seus corpos e perceberam a ausência das contas verdes.Joana advertiu seu amado que o perigo os rondava.As verdes contas levariam à tona o grande segredo.Malditas contas verdes , bradava rancorosa a jovem Joana.
Mesa posta para o desjejum.. A cadeira de Joana vazia.O que acontecera com Joana , sempre a primeira a sentar –se à mesa ? César , o irmão caçula, escalou-se para
procurá-la. As contas verdes o seguiram indicando-lhe um atalho que o levaria em direção oposta á fonte
Neste ínterim Joana sorrateira e cautelosa retornou ao quarto, recompôs-se e dirigiu-se à cozinha sorrindo à toa. – Onde estava ? Seu irmão foi procurá-la .- Oh !
Mamãe, em busca de Zazá ! Não é que a danada pulou a janela e embrenhou-se no matagal e descansava placidamente à sombra das amoreiras .. Nesse exato momento entra César , que pretendia vingá-la , mas enrubesceu ao ver Joana abraçada a Zazá,olhos de contas verdes, que a acariciava , lambendo-a, sussurrando miados de alegria , os quais Joana traduzia tão sabiamente.Os olhos de contas verdes, a sua Zazá,
que já a livrara de tantas emboscadas era a sua adorável amiga e cúmplice.