Estou ainda sob o impacto da leitura feita do pequeno e precioso livro “A prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze”, do jornalista e escritor Juremir Machado da Silva. Na semana passada, foi uma leitura indicada pela minha Chefe que solicitou o livro na biblioteca do TRE/RS. Como sou “viciada” em livros, adorei a dica e, de imediato, peguei o volume e trouxe-o para casa. A capa já desperta o nosso interesse com uma bela imagem da jovem protagonista que ficou no imaginário popular da cidade de Porto Alegre. Aliás, somente o título já indica uma história sui generis. Juremir Machado fez um belíssimo trabalho de pesquisa histórica, de entrevistas preciosas. Captou e transcreveu no papel lances de beleza singular. As memórias, as idéias, as descrições, as falas, são dignas de uma análise profunda e integral. Esbanja sensibilidade. Há uma psicologia que nos leva a pensar no ser feminino, no ser mulher nos outros tempos e também nos nossos atuais. Ali, naquela história de vidas com seus percalços existenciais, revela-se todo o sentimento de condenação e de julgamento que o ser humano pensa possuir sobre a outra pessoa. Nilza não foi santa. Mas, também, não era tudo aquilo que as más línguas apregoavam. Aliás, antes de mais nada, tratava-se de um ser humano e como tal deveria ter sido respeitada. Por outro lado, Ruth, também merecia o respeito por aquele que jurou fidelidade “até que a morte os separe”. O médico, político, Carlos Eurico, foi o símbolo de uma época marcada pela ideologia massacrante dos homens sobre as mulheres, dos ricos e poderosos que de tudo se adonavam. Retrato de uma moral hipócrita e desumana. Mas, no final, a prisoneira era “livre na alma”, pois na sua pequenez falível acreditava num Ser maior. Enquanto o seu “dono e senhor”, em desvario de suas loucuras, era refém, prisioneiro, cativo de sua própria insanidade e pefídia. Valeu a leitura. Sinto uma mistura de emoções. Tristeza, indignação, eternecimento, alegria, solidariedade, partilha. Partilha de uma mesma humanidade, de uma mesma linguagem, de uma mesma luta e trajetória. Somos todas iguais. E estamos a caminho. Sempre. Sem nenhum exagero ou fanatismo feminista, buscamos o nosso lugar ao sol, sem desmerecer nem desprezar a companhia e a parceria com os homens. Afinal, nos complementamos. E juntos somos mais e melhores. Oxalá, isso seja, de fato, realidade...um dia, quem sabe....Veio em minha lembrança o livro já há muito lido, “O Martelo das Feiticeiras” (de Heirich Kramer e James Sprenger). Um manual de “caça às bruxas”. Ali, nascia, historicamente, as bases do que, hoje, conhecemos, no campo da ciência jurídica, como o Direito Processual Penal. Porém, o mais precioso e belo daquele livro (para mim) está estampado na esplendorosa apresentação feita pela intelectual Rose Marie Muraro. Uma verdadeira aula de história global. Lindo. Os nosso aplausos àquela senhora nascida aos 11/11/1930 no Rio de Janeiro. Física, escritora e editora. Aplausos a todas as mulheres que escrevem com o sangue, o suor, as lágrimas os próprios livros das suas existências!!!

qui, 04/03/2010 - 21:34
Parabéns pela bela crônica! Seus textos são valores na nossa República
dom, 07/03/2010 - 01:18
Boa noite, J. Machado, eu é que sinto-me honrada em participar dessa preciosa República!!
Um grande abraço, :)
Suziley.