A Joana era uma parenta de minha mãe. Pelo que a família conta, a figura devia ter um certo retardamento mental, que soava como ingenuidade, em uma época em que as teorias sobre a saúde da mente ainda não se haviam popularizado.
No mês da festa da padroeira, a Joana comprou um corte de tecido e entregou-o à irmã costureira. Os dias passaram e a Joana não encontrava modelo para o vestido. A irmã já se incomodava, porque tinha outras costuras para entregar e estava vendo chegar o dia da festa com a maldita fazenda em cima da máquina, sem que a Joana se decidisse pelo modelo.
Na manhã da antevéspera da festa, a costureira lançou o ultimato: se a dona da fazenda não lhe entregasse imediatamente o modelo do vestido, não teria roupa nova para homenagear Sant’Ana. A Joana, então, foi até a porta da rua, olhou para um lado, olhou para o outro, mirou a igreja, levantou a cabeça para ver melhor a torre (morava a poucos metros da matriz) e apresentou a solução do problema:
- Quer saber, Naninha, faz este vestido do modelo da torre da igreja!