Carnavais da minha infância,
Brincadeiras sem extravagância.
Com enredos de desamor
E desenredos de amor.

Papangus assustadores nas calçadas,
Compenetrados ou em palhaçadas,
Arrepiam e apavoram as crianças,
que, medo passado, caem na lambança.

Carnavais da minha infância,
Brincadeiras sem extravagância.
Com enredos de desamor
E desenredos de amor.

Confetes embalam a alegria
Serpentinas instalam a euforia.
- Pai, um pouco só de lança-perfume!
- Pouco, meninos, não fiquem no costume!
A saia da bailarina está mais rodada.
O olhar do bailarino, mais quebrado.

Carnavais da minha infância,
Brincadeiras sem extravagância.
Com enredos de desamor
E desenredos de amor.

O frevo explode no salão enfeitado.
As crianças marcam o passo ensaiado.
A sombrinha sobe ao impulso do passo
E desce às mãos no mesmo compasso.

Carnavais da minha infância,
Brincadeiras sem extravagância.
Com enredos de desamor
E desenredos de amor.

Depois, o sonho das meninas,
Cheio de heróis e de piratas.
E o sonho dos meninos,
com donzelas e bravatas.

Carnavais da minha infância,
Brincadeiras sem extravagância.
Com enredos de desamor
E desenredos de amor.