O primeiro filho
chegou sem empecilho.
Com cabelo de milho
e previsões de brilho.
O filho primeiro
- coitado! –
quer ser marinheiro.
Mas o pai, interesseiro,
quer vê-lo joalheiro.
O filho primeiro
é novidadeiro.
Mas o pai, grosseiro,
– que pena! –
tolhe-o por inteiro.
O filho primeiro
joga como goleiro.
O pai, cabresteiro,
– que horror! –
quer vê-lo artilheiro.
O filho primeiro
plantou um pitombeiro.
O pai, bonequeiro,
exigiu um sapotizeiro.
O filho primeiro
É grande aventureiro.
O pai, carcereiro,
prende-o no terreiro.
O filho primeiro,
em pleno janeiro,
resolve, ligeiro,
fugir do cativeiro.
Sem pensar em terceiros,
nega-se a ser carneiro.
E, muito muito sorrateiro
foge do pai traiçoeiro.
Disfarça-se de cavaleiro,
abandona o cativeiro,
embarca num cargueiro.
E, todo lampeiro,
vai ser fragateiro.
Alvíssaras, meu companheiro!
